ARTIGOS


PSICOLOGIA SOCIAL E ORGANIZACIONAL
Artigo Científico

RESUMO

O presente artigo pretende mostrar a definição e conceito de sistema parafraseando seu precursor Herbert Spencer “o sistema social obedecia a leis e princípios semelhantes aos organismos vivos”, logo mais adiante “contestada”, de certa maneira, com Darwin com a expressão “que a sociedade é um conjunto de grupos de indivíduos lutando pela manutenção dessa sociedade, que é o organismo”. Por essa visão podemos pressupor que o elemento mais importante não é o indivíduo que compõe a sociedade, mas sim o grupo.



INTRODUÇÃO

O presente artigo visa demonstrar que, em eras anteriores às citadas em nosso resumo, H. C. Carey, A. Bentley, T. N. Carber e Pareto concluíram que tudo teve sua origem através de uma visão superficialista da realidade social e culminou como o primeiro modelo sistêmico para interpretação dos homens.



OBJETIVO

O presente artigo tem por objetivo sugerir que ao ajustar o homem aos sistemas de produção, o profissional de RH precisa buscar estratégias e conceitos que o levem a compreendê-lo da forma mais correta possível, onde o importante será a compreensão do contexto social e das formas de comportamento originários dos valores e relações predominantes em determinadas classes ou grupos sociais, superando assim as técnicas que se baseiam apenas em modelos ideais de indivíduos.



REVISÃO DE LITERATURA

Ao longo de sua história, uma das grandes necessidades percebidas pelo homem foi a de procurar organizar a sua realidade, através da elaboração de conhecimentos necessários para direcionar e esclarecer as relações humanas e os elementos que as compõem. Essas necessidades para atender sua condição física fizeram com que o homem passasse a desenvolver conceitos mecanicistas. Sempre se procurou traçar um parâmetro para a explicação do homem através da junção da física, mecânica e matemática, principalmente a partir do século XVIII, chegando a promover comparações do homem com a máquina através da recém instituída física social, determinando que seus processos e condições psicológicas poderiam ser analisados partindo de princípios da mecânica, em que também avaliavam que o comportamento humano poderia ser visto através das bases nas leis da astronomia.

Neste contexto, a organização social, o poder e a autoridade eram resultantes das pressões de átomos e moléculas sociais, nascendo, então, a estática social, ou melhor, a teoria do equilíbrio social, análoga à estática da mecânica física e a dinâmica social, que envolvia o movimento como função do tempo e do espaço, às quais se podia exemplificar pelas curvas matemáticas. Os mais destacados simpatizantes e paladinos dessa idéia mecânica de sistemas foram: H. C. Carey, A. Bentley, T. N. Carver e Pareto. Onde tudo teve sua origem através de uma visão superficialista da realidade social e culminou como o primeiro modelo sistêmico para interpretação das relações dos homens. Estes modelos constituíram uma base filosófica muito boa para a implantação de sistemas administrativos autoritários.

Dentro do conceito de concepção orgânica, na mesma linha de desenvolvimento das ciências físicas, serviu este tema de base para a concepção mecânica de sistema; o avanço das ciências biológicas constituiu o alicerce para o nascimento do conceito orgânico de sistema social. Seu precursor foi Herbert Spencer, que trabalhou a idéia de que o sistema social obedecia a leis e princípios semelhantes aos dos organismos vivos. Os diversos sistemas do corpo constituíam os sistemas da sociedade que, em uma interação harmônica, poderiam determinar a estrutura global do organismo. Ainda se via o sistema social como um organismo onde as células, ou seja, os indivíduos, lutavam para manter vivo o organismo, ou seja, a estrutura e, também, uma visão baseada no evolucionismo de Darwin, o qual vê a sociedade como um conjunto de grupos de indivíduos lutando pela manutenção da sociedade, que é o organismo. Nesta visão, o elemento mais importante não é o indivíduo e, sim, o grupo; o importante não é a sobrevivência do indivíduo mas, sim, da espécie.

Dentro do contexto de concepção de sistema de processo, o termo processo como designação de um tipo de conceito de sistema indica uma dinâmica diferente para a organização e interação de seus componentes. Enquanto os termos mecânicos e orgânicos pressupunham uma organização predeterminada e constante, o processo representa o rompimento com estas duas condições. Este conceito foi conduzido nos EUA pela escola de Chicago no início do século XX, e obteve como seus precursores Albion W. Small, G. H. Mead, R. E. Park e E. W. Burges. A idéia de sistema como processo, no qual a sociedade é o resultado de uma série de fatores que se associam e se dissociam de maneira bem variada, traz a estrutura de uma forma onde acontece a organização dos valores intimamente ligados aos processos que a originaram e é permanente, acomodando-se em constante mudança as transformações do ambiente em que se encontra.



METODOLOGIA

De maneira experimental, propomos que sejam fortalecidos e plenamente desenvolvidos, através de análises minuciosas, os sistemas de valores sociais, que movimentam os desafios físicos e sociais do homem.

O enfrentamento de realidades físicas sempre foi e será um fator determinante no processo de condução dos indivíduos e sua estrutura, tanto no âmbito da sobrevivência individual como da espécie. Porém, esta espécie tem uma origem em fatores determinantes no individual que formou o conjunto espécie.

Uma vez que naturalmente dentro das estruturas sociais o processo de evolução é inevitável e tem início a partir do potencial dos mais aptos, tornando a competição um elemento de convivência suportável dentro do sistema, com a criação de uma seleção natural de onde origina a base ideológica para a livre iniciativa e a competição, o caminho de um equilíbrio planejado está em evoluir o potencial individual de toda estrutura que forma o conjunto social.

Toda estrutura constitui-se em valores que norteiam as ações dos elementos da sociedade e, ao mesmo tempo, implantam um sentido nesta sociedade; uma vez que os valores são precursores do sentido nesta sociedade, eles se tornam o ponto a ser trabalhado e desenvolvido com métodos em que se possa encontrar o equilíbrio para a evolução do potencial de cada indivíduo.

A unidade é parte do todo, mas cada unidade faz o todo; a formação do todo dependerá, exclusivamente, de como cada unidade fica ou se comporta ao ser colocada no conjunto; unidades evoluídas em potencial e valores criam um todo evoluído em potencial e valores, no caso inverso o resultado é inverso.

Evoluir a unidade baseada em valores que atendam as necessidades físicas e sociais de uma estrutura humana é um caminho para equilibrar os antigos conflitos e pesquisas sobre as equiparações dos sistemas dentro da organização.



RESULTADOS

Como resultado da evolução da unidade baseada em valores que atendam às necessidades físicas e sociais de uma estrutura humana, se dará início a um sistema no qual os conflitos individuais e sociais, através de um conhecimento de diferenças, tenham reciprocidade e não contrariedade. O reconhecimento das diferenças através da evolução de conceitos de valores cria respeito por estas diferenças, que poderão ser vistos como fatores diferenciais competitivos e não dissociativos ou, mesmo, precursores de distanciamento entre as partes envolvidas. Quando uma organização física ou orgânica ou, até mesmo, evolutiva não faça de suas diferenças equilibradas através de valores compreendidos e respeitados as possibilidades de atuarem juntas dentro de um sistema são infinitamente maiores e mais promissoras. Talvez a grande questão da evolução, tanto dentro dos meios sociais quanto nos meios organizacionais, seja justamente a ausência de valores que permeiam o equilíbrio das diferenças e, na ausência deste fator sistêmico, o indivíduo, ou seja, a unidade, acredita que os valores que desenvolveu são melhores que aqueles que não se equiparam aos seus.

É como alguém que adora usar um terno preto e, dentro de sua organização, quem não o usa começa a ser desqualificado. Somos o que somos, porque vivemos aquilo que vivemos dentro de nossos conceitos sociais e instintos de sobrevivência; a transformação deste instinto num potencial regido por valores capazes de construir novas unidades geraria um todo com poder evolucionário e revolucionário, o que traria resultados positivos dentro das organizações, causando lampejos de caminhos nesta sociedade recessiva e com alto índice de desemprego.



CONCLUSÃO

A descoberta de comportamento da realidade será sempre alargada por novos ângulos e horizontes no momento em que acontece a superação daqueles comportamentos da realidade já existentes. Dentro de um parâmetro lineado pela sociedade de classes, o sistema não representa a organização dos interesses da maior parte, fica apenas na linha de refletir a estrutura de valores de uma classe que impõe seus interesses e subjuga os demais.

Diante da concepção de processo, a estrutura deve ser dinâmica e representar os interesses dos indivíduos que a elaboram a partir de suas relações com a própria realidade objetiva. Assim, o sistema representará uma possibilidade para que o homem atinja seus objetivos, sem imposição ou coação.

O erro das concepções anteriores, mecânica e orgânica, está em considerar a estrutura como estática e a transformação como patológica: a importância do sistema e seus elementos são secundários, uma vez que a função é dar sentido à estrutura e é a concepção desta que determina seus objetivos.

Ao procurar ajustar o homem aos sistemas de produção, o profissional de recursos humanos precisa buscar estratégias e conceitos que o levem a compreendê-lo da forma mais correta possível. Estão superadas as técnicas que se baseiam em modelos ideais de indivíduo, o importante é compreender o contexto social e as formas de comportamento originário dos valores e relações predominantes em determinadas classes ou grupos sociais.



BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMACHO, Joel. Psicologia organizacional. Editora EPU, vol. 4, 1984.

CAMACHO, Joel. Psicologia organizacional – sugestões e atividades. Editora EPU, 1984.

GOULART, Íris Barbosa. Psicologia organizacional e do trabalho, pesquisas e temas correlatos. Editora Casa do Psicólogo, 2002.

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QUINTELA, Heitor M. Manual da psicologia organizacional da consultoria. Editora Makron Books, 1994.

SENGE, Peter. A dança das mudanças. Editora Campus, 2000.

TELES, Antonio. Psicologia organizacional. Editora Ática, 1994.

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Cesar Romão
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